
sábado, 22 de agosto de 2009
Nosso pleonasmo de cada dia. Bem didático!

domingo, 26 de julho de 2009
Espanhol e Português: nós entendemos melhor nossos vizinhos do que eles nos entendem.

domingo, 28 de junho de 2009
A língua, frutas e cores... as metáforas do cotidiano.

domingo, 28 de dezembro de 2008
Palavras estrangeiras invadem o português… bom ou mau?
Primeiro de tudo, é importante que se saiba a diferença entre estrangeirismo e empréstimo. Grosso modo, o primeiro se caracteriza a partir da incorporação de uma palavra estrangeira ao vocabulário de uma língua mantendo sua grafia e pronúncia, já, no segundo caso, trata-se da incorporação de uma palavra ao nosso léxico que, ainda que mantenha a pronúncia (ou algo bem próximo), sofre alterações para assumir a escrita da língua em que acaba de se inserir. Posto isso, temos casos de empréstimos como abajur, futebol, bife, sinuca, blecaute e vai por aí. Do lado dos estrangeirismos, temos shopping, show, hall, pizza (a grafia pítiça até já foi proposta por um gramático, mas ninguém usa com medo de linchamento). O fato é que todo empréstimo, de certa forma, um dia, foi um estrangeirismo e, não havendo, na língua em que ele se insere, uma palavra com a mesma carga semântica e emprego contextual, ele é bem-vindo.
Mas, então, é bom ou mau?
Em se tratando de língua (assim como em tudo) estes conceitos polarizadores são completamente descabidos. É bom e mau ao mesmo tempo ou, na minha visão, nem uma coisa nem outra. Agora é que confundiu, né?
O fato é que as palavras só entram e ficam definitivamente em uma língua quando não há um termo que expresse o referente indicado por ela com a mesma expressividade e pertinência. Foi assim com abajur, com futebol, com sinuca.. Não tínhamos nenhuma dessas coisas com a carga de significação que lhe é atribuída hoje, logo, recebemo-las assim como as palavras que as designavam.
Então qual é o problema?
Basicamente dois. Da parte de quem pretende regular a língua com leis que proíbem palavras de origem estrangeira, constitui um desconhecimento de que nossa língua é formada a partir de línguas estrangeiras (Latim, Tupi, Iorubá, francês, inglês, Italiano entre outras) e que, com o tempo, o próprio idioma possui um processo natural de seleção de palavras que descarta o que lhe é excessivo.
Da parte de quem abusa também é problemático. Vejo garotas que procuram blusas pink, para ficar in, já que, hoje, acordou tão down. Rapazinhos que, quando vão para night com seu brother, curtem um som hard core… No serviço, há pessoas que estartam projetos, fazem back up dos papers que estão workstation e terminam com um coffee break, Salvo em seu Day offs, of course.
Na intenção de estarem em harmonia (sic) com a linguagem de seu grupo, as pessoas se expõem ao ridículo lingüístico. Uma espécie de tentativa insana de falar de forma a se sentir dominador de uma variante privilegiada. E o mais engraçado é que muitas dessas pessoas só conhecem essas e mais uma meia dúzia de palavras em inglês.
Estrangeirismos não são monstros que devem ser banidos da nossa língua. Muito pelo contrário. Todavia, como diz o aviso nas garrafas de cerveja: aprecie com moderação.
Este texto foi publicado originalmente no site O Patifúndio em 13/12/2008
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
“Vou estar fazendo” - anatomia de um vício
No meio do meu descanso, toca o telefone.- Obrigado pela oferta, mas não vou estar quere(i)ndo.
- Mas senhor... Insiste. Mas que vantagens o seu cartão já oferece...
- Não oferece vantagem nenhuma, mas o que rola entre a gente é uma relação sem interesse, é só amor mesmo... Sabe aquele não querer mais que bem querer de Camões.
A atendente de telemarketing se despede, mas não sem antes rir do outro lado da linha.
O fato é que o gerúndio é uma forma nominal em português que projeta o aspecto durativo em um evento verbal. Eu estou escrevendo é uma maneira de dizer que no momento atual (que não é necessariamente agora) eu estou exercendo a atividade de escrever. Sendo assim, é uma aplicação aspectual muito pertinente ao tempo presente e a casos de formas de pretérito (Ontem, eu estava escrevendo quando...), mas não muito necessária ao futuro. Na verdade, é até dispensável.
Não vamos fazer um cavalo de batalha com isso, mas de uns tempos para cá algumas modalidades de discurso como o telemarketing exauriram este emprego do gerúndio assim com em certas épocas outras modalidades desgastaram termos repetidamente como “a nível de”, “eu, enquanto, X” e outras pérolas que pareciam (?) dar ao usuário um ar de intelectualidade.
A bola da vez é o gerúndio. Podemos argumentar que é uma tradução mal feita do inglês (I´m going to be offering / vou estar oferecendo) ou mesmo que, de fato temos uma ação durativa no futuro. Entretanto, o fato é que muitos verbos indicam que o evento será realizado em um ponto no tempo (vai oferecer, por exemplo. Você oferece em um momento e ponto e não faz disso um processo que se estende). Por outro lado, o gerúndio se aplica bem em casos como “Amanhã, a esta hora, vou estar falando para mais de 100 pessoas. O verbo falar esta modulado por um gerúndio que aponta nitidamente para uma ação de discursar.
Aos operadores de telemarketing, sugiro a substituição por um presente com valor atemporal (a Mega Plus International oferece ao você, sem nenhum custo adicional...). Diriam eles que isso é menos expressivo do que o gerúndio. Mas aí eu pergunto: Por quê? Tecnicamente, é até mais amplo.
Enfim, fica aí a sugestão.
Da próxima vez, com certeza vou estar sugerindo isso..
Viu como fica esquisito?
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Um país de escritores e de escrevedores
Entretanto, o que mudou na face do Brasil de Glauber e Júlio para o Brasil de hoje? Dora e Josué ainda são a cara do Brasil. Milhões de brasileiros ainda vivem afundados no analfabetismo e distanciados dos bens de consumo da sociedade capitalista. Ainda não temos os rostos bonitos e bacanas das novelas das oito. Estamos mais para Central do Brasil do que para a fábrica de sonhos da Globo.
Para início de conversa, falta, no Brasil, um programa educacional sério que vise à formação do usuário da língua em primeira instância. O ensino fundamental ainda se confunde em seus objetivos e, em meio ao despreparo dos profissionais, entende que dar aula de português é falar de “regrinhas” e exceções. A primeira visão que devemos ter do nosso idioma não é a imensa lista de regras com as quais, muitas vezes, nos inundaram a cabeça na escola. Estudar a Língua Portuguesa é dar ao falante o manejo da língua escrita (e, obviamente, oral) a fim de habilitá-lo a exercer sua plena cidadania.
Nunca entendi, por que toda tentativa de ensino efetivo da norma culta de nossa língua começa pelo soterramento do indivíduo com regras que por si só assustam. Afinal de contas, a gramática é feita em função do uso e não o contrário. Fala-se, por vezes, na formação do leitor, entretanto, é muito difícil gostar de ler se as aulas de português não são momentos de incentivo à leitura e à produção dos próprios textos. Não estamos falando, necessariamente, da leitura de livros, mas de qualquer texto que deveria ser trazido para a sala. Obviamente, que tragam consigo a semente da reflexão e da formação da consciência crítica. Músicas, avisos, leis, textos de jornal, material de revistas, publicidade, tudo escrito em língua portuguesa é válido. Que a língua simples das ruas, da realidade do aluno seja trazida para a sala de aula, não para ser ensinada (mesmo porque, essa ele já conhece), mas para amparar a reflexão sobre a norma culta que se origina, creiam ou não, dela.
Sinceramente, não acredito que seja possível ensinar português sem cruzar o universo escrito da norma culta com a realidade oral do aluno. Todo ensino que não leve em conta esse cruzamento de universos lingüísticos é uma ode à alienação. O ensino de português sem a língua em formas de textos ou sem o uso do universo oral é a repetição dos erros já apontados e condenados no ensino da língua materna. Mesmo correndo o risco de cair no lugar comum, ainda assim, como Dora, digo isto, diariamente, a meus alunos tanto na faculdade de Letras como aos de ensino médio, talvez, porque, no fundo, tenho medo de que não levem a sério a mensagem e, fatalmente, me esqueçam.
Por fim, que o milênio que se inicia seja o milênio da consciência, da leitura, da reflexão.
Uma Era de cada dia menos de Josués e escrevedores.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Tipos de alunos - Histórias de quem andou corrigindo redações do ENEM.
Há alguns anos trabalho com o INEP (órgão do governo que organiza o ENADE, as avaliações de curso de graduação, e o ENEM etc.), mas como corretor de redação.. Isso não, foi minha primeira vez neste ano. Foram mais de 3100 redações do ENEM corrigidas por mim, mas se tomarmos a minha vida toda, como professor, devo ter corrigigo mais de 20 mil textos de alunos. A estrada foi longa e, nesse último ENEM, resolvi fazer do trágico algo cômico. Cansei daquelas pérolas que são enviadas na internet à exaustão e resolvi variar. Saibam que legal mesmo são os tipos de texto. Estes sim, são o que há de interessante.
Para início de conversa, o tema foi a questão ambiental, resumindo: a Amazônia é parte de um grande ciclo de vida. Se desmatamos, reduzimos a chuva na região, se reduzimos a chuva, perdemos floresta, se perdermos a floresta, reduzimos o ciclo de chuvas e vai por aí até acabar a floresta e virar um deserto.
Daí, temos os seguintes tipo de autores de redação:
O cara de família
"Estão destruindo a natureza e o que deixaremos para nossos filhos, e os nossos netos e até mesmo nossos bisnetos.. E até mesmo os filhos de nossos bisnetos... o que deixaremos para eles?"
O cara pensa enquanto escreve: caramba, falar o que disso? Sei lá, acho que aquele papo de geração futura faz a maior pressão...
O poeta
"Ó Amazônia, musa gentil, sofreis tanto com a agrura de teus filhos insanos...Gritai, gritai... Vinde, ó consciência"
Usa vós e tu o texto todo e termina dizendo: "Pois nós temos que "SE" unir para combater este "ASSASSÍNIO". Lá se foi o poeta pela gramática abaixo.
O apresentador
"Nós temos um grande patrimônio hoje e que está sendo destruído, sim, é ela mesma, a única e inigualável.... Amazônia."
Se fosse o Faustão diria: "essa fera aí, ô loco meu..."
O "bem" informado
Li na "Folha de São Paulo" que 70% da áreas são usadas para pastos e o "Globo News" exibiu uma reportagem que mostra as perdas na fauna nativa. Além disso, a revista "Época" trouxe como notícia de capa...
A maioria das informações que ele usa foi extraída do texto tema da redação ou colhida na memória do aluno que foi nutrida disso quando ele ouviu algo na TV, viu algo na banca perto de casa ou que seu pai comentou algo com ele de passagem.
O filho do Seu Creysson
"O problema é a falta de um pograma de reflorestação da amazônia..."
Não sabemos até hoje se o cara propõe um programa ou para resolver a falta de árvores, sugere por grama... Mistério. E a reflorestação? Quanta criatividade vocabular!
O panfletário otimista
"A floresta está sendo destruída, vamos nos unir, vamos todos para a Amazônia lutar contra os desmatadores. A luta continua. O sonho não acabou. De braços dados, vamos mudar o mundo. Só nós podemos mudar, caminhando de braços dados, unidos por um só ideal..."
Escreveu dois parágrafos só falando disso... conteúdo zero, mas se estivesse em um palanque sempre haveria um maluco para bater palma.
O ECO
"Queremos preservar nossa floresta. A floresta é um grande bioma, e este bioma precisa de proteção. Proteção que só o ser humano pode oferecer ao meio ambiente. Um meio ambiente prejudicado..."
E vai assim o texto todo. Repetindo, no ínício da frase seguinte, a palavra ou expressão que acabou de dizer na frase anterior... Você não faz idéia de como isso cansa para quem lê.
O indeciso
"O que fazer? Não sei. Investir em preservação? Talvez. Mas e a corrupção? Não sei... É possível que tenhamos que criar leis mais rígidas. Quem sabe não seria a solução. É possível. "
Este cara não faz muita idéia do que está fazendo ali. Sei lá, talvez saiba. Não sei. Será?
O “do contra” pessimista
"Não adianta fazer nada. O ser humando destrói tudo sem piedade. Os políticos são corruptos e os policiais também. Os fazendeiros são gananciosos e só pensam em dinheiro. As pessoas são acomodadas e não fazem nada para mudar..."
Isso é que é otimismo. Mantenham as giletes, armas de fogo e veneno longe desse menino... é um suicida em potencial.
O resignado
"Tudo está sendo destruído aí. O dinheiro é que comanda, mas estamos fazendo nossa parte aí. É necessário que cada um faça a sua por um mundo melhor e aí, diminuir este grande problema que é a devastação da floresta que está aí."
Pô! O cara tá fazendo a parte dele. Aí, colabora aí, faz a sua
Ô dinheiro suado esse!


